Um time de bibliotecárias em um Hackathon

Autoras: @dayaraujo Maralyza Mariana Mota @nataliemorais

Introdução

Hackathon é uma grande maratona onde diversos profissionais se unem para o desenvolvimento de soluções para desafios propostos pelo organizador. Muito popular na área de programação na qual hackers se unem para explorar dados, decodificar códigos e desenvolver novos projetos de software. Segundo o IBGE, no Brasil, apenas 20% das profissionais de TI são mulheres. A pior parte é que elas recebem em média 34% menos que os homens.

O que é o Mega Hack Woman

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Realizado pela Shawee, uma plataforma de integração de hackthons, Trybe e parceiros como Globo, Microsoft, GR1D,Locaweb, Uber, Alura e com o objetivo de inserir , reunir e incentivar as mulheres em hackathons, o Mega Hack Woman realizou mais uma edição dessa maratona, do dia 31 de agosto a 07 de setembro, somente para mulheres.

O Mega Hack Woman reuniu nove empresas, cada uma com um desafio, onde as equipes puderam escolher qual solução proporem. São elas: Banco BMH, SEBRAE, VTEX, BLK., Linker. Vitall, Olist, Ministério de Ciência e Tecnologia e Árvore. A premiação para a equipe com a melhor solução foi de R$35.000,00.

Havia um time de peso prestando assessoria durante toda a semana, além das mentorias com especialistas da área de negócios, pitch, marketing, desenvolvimento e tecnologia.

Plataformas utilizadas

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A plataforma utilizada para comunicação do evento foi o Discord, através de canais de mensagens e voz, com toda a documentação reunida e um bot para os processos de autenticação, escolha de desafios, ajuda e agendamento de mentorias. Também foi utilizada a plataforma Shawee para inscrição dos times e envio dos desafios, além de reunir todas as informações das profissionais que prestavam mentoria.

Mentorias

As mentorias eram feitas geralmente pelo Google Meet, com duração de 30min, porém a escolha para o bate-papo era do mentor. Tivemos algumas interações por whatsapp e e-mail também.

A primeira mentoria foi para falarmos das ideias iniciais do projeto, nossos anseios e nossas perspectivas para o desafio, contudo a nossa mentora nos trouxe alguns pontos de atenção relacionados ao projeto, estávamos mais focadas na solução para o problema apresentado e não tínhamos a ideia inicial de monetização e o quão é importante para manter uma startup. Então consideramos rentabilizar nossa ideia , por meio de assinaturas mensais pagas, mas no nosso segundo encontro com a mentora, que foi uma experiência ótima, a partir daí entendemos quais os pontos que deveríamos focar para monetizar e contribuir com a sociedade e colocarmos as mulheres como protagonistas.

Nessa segunda mentoria tomamos consciência dos diferenciais dos nossos serviços, afinal o que faria as pessoas pagarem uma plataforma de cursos e eventos, enquanto tínhamos diversas no mercado ofertando esse modelo de negócio?

Iniciamos a jornada de construção da etapa financeira da nossa startup , até sonhamos inicialmente com uma micro empresa, mas mais uma vez nossa mentora nos trouxe feedbacks importantes na jornada e entendemos que começar como MEI seria nosso primeiro passo dentro do Projeto Arretadas.

Como aprendizados da mentoria temos:

a importância de pensarmos em monetizar nosso negócio, mesmo tendo cunho social;

qualquer startup precisa começar com uma ideia, mas também como uma empresa, o ideal é ser MEI inicialmente;

Mensurar custos e o lucro é fundamental para qualquer negócio;

Termos indicadores , para sabermos onde queremos chegar nos próximos 5 anos.

Começar pequeno, de forma estruturada e sabendo dos gastos iniciais com certeza faz toda a diferença no mundo dos negócios das startups.

Formação de times

Day Araújo (UX):

Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Ceará, Especialista em Comunicação e Marketing em mídias digitais pela Estácio de Sá, Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Educação pela Universidade Federal de Santa Maria, Bacharel em biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará. Web designer pelo CEPEP e Arquiteta da informação. Atua com produção de peças e plataformas digitais, organização de eventos culturais e gestão documental. Produtora de conteúdo no perfil do instagram @fluxoinfo.

Maralyza Pinheiro (Business): Bacharel em Biblioteconomia pelo UFC (2005), especialista em Tecnologias da Informação pela UFC (2014) e estudando atualmente UX e IA. Possui experiência de mais de onze anos na área de Gestão Documental e GED, atuando em diversos projetos no Brasil, tanto em órgãos públicos quanto em empresas privadas de médio e grande porte. Atuou como Coordenadora da área de GED do Grupo 3corações (1ª Bibliotecária no Brasil a atuar em cargo de gestão na Indústria Alimentícia). Atualmente empreendo com a MPGED STARTUP, empresa de consultoria em GD e GED em Projetos e cursos e capacitações em: UX, UX Writing, AI, Inovação, Gestão de Projetos e Processos e Marketing Digital.

Mariana Mota (UI)

Bacharel em Biblioteconomia pela UFC (2017), pós graduação em andamento em Educação Bilíngue. Atua como UX/UI Jr e Arquiteta da Informação. Possui interesse em Recuperação da Informação, Linguagens Naturais, Arquitetura da Informação, KOS e Machine Learning.

Nathalie Morais (Dev):

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará. Possui interesse em Gestão da Informação.

Paty Ester (Marketing):

Publicitária e Jornalista, especialista em comunicação e mídias digitais.

Possui formação multidisciplinar na UFMG e experiência com assessoria de imprensa, criação publicitária, monitoramento de redes sociais, administração de sites, comunicação interna e técnicas de estúdio de TV.

O desafio

Ao escolhermos o desafio, analisamos cada um , e entendemos que o que mais se adequa ao nosso grupo seria aquele que nos desse liberdade de trabalhar nossas ideias e com isso o desafio MCTI tinha tudo a ver com nosso propósito, pois o mesmo nos dava oportunidade de colocar as mulheres como protagonistas no universo das tecnologias.

O desafio do MCTI que em sua documentação resumia:

“Em razão de suas atribuições de análise do ecossistema empreendedor nacional, o MCTI diagnosticou que as startups são usualmente fundadas e geridas por homens, bem como a mão de obra empregada também é majoritariamente masculina. Com esse panorama, embasado em referências que seguem, o Ministério decidiu por envidar esforços em favor de ações para incentivo às empreendedoras de base tecnológica; por consequência, espera-se alcançar maior representatividade, competição e diversidade no ambiente de inovação nacional (…) Como as mulheres podem empreender no mercado de tecnologia?”

Como mudarmos esse cenário? Como poderíamos contribuir de forma efetiva para as mulheres serem protagonistas no universo das tecnologias e das startups?

O MCTI traz em números o cenário atual das startups no Brasil e o quanto estamos em desigualdade, reforçando o quanto ainda precisamos percorrer para ocuparmos espaços de destaque nas áreas de Tecnologia e Inovação.

A representação feminina, especificamente no ambiente das empresas startups, ainda é reduzida. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), os homens representam 74% da força de trabalho nas startups brasileiras, apesar de serem 49% da população

Em particular, as mulheres têm menor participação em posições de liderança e atraem menos recursos de Venture Capital (VC) para financiarem o crescimento de seus negócios. Segundo a base de dados PitchBook, em 2017, mulheres empreendedoras atraíram somente 2% do capital de VC investidor nos EUA, ainda que presentes em 38% dos negócios.

Elaboração da solução (design thinking, miro)

A etapa mais árdua e instigante de um projeto com certeza é a etapa de ideação e co — criação na qual podemos realizar todo o brainstorming de ideias, foi uma experiência de disciplina , aprendizado e trabalho em equipe.

Nossos encontros aconteceram de forma virtual e fisicamente , no formato físico nos reunimos em um espaço coworking e fizemos um brainstorming e Design Thinking com cards e posteriormente adaptamos na plataforma Miro utilizando o Lean Canvas para startup.

Começamos a utilizar as ferramentas tanto de ideação como de organização para cada etapa do nosso Projeto Arretadas Startup.

Utilizamos um modelo baseado no Project Model Canvas adaptado para o planejamento de startups, o Lean Canvas, que nos ajudou a definir o problema que estávamos querendo resolver, qual a solução, a segmentação de clientes, custos e ferramentas de forma visual e objetiva.

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Acesse aqui o Lean Canvas da Startup Arretadas.

Para a organização de uma equipe de diferentes regiões do Brasil e de forma digital é um processo importante no contexto atual. Usamos a plataforma para organizar as tarefas da equipe e assim otimizar o tempo. O trabalho remoto é tendência e os Hackathons online também. Por isso, a adaptação a essa nova rotina é fundamental para os empreendedores que pretendem trabalhar com equipes diversas a curto, médio e longo prazo.

Identidade visual

Durante as etapas de ideação e co-criação pensamos em um nome que tivesse nossa identidade e representasse de forma forte e marcante as mulheres e arretadas foi o nome escolhido para nossa startup.

Arretadas simboliza bem o contexto da força das mulheres, se formos buscar no dicionário da língua portuguesa arretadas significa corajosa, então faz todo sentido quando mulheres se reúnem para apoiar e mudar o cenário a favor de outras mulheres.

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Elaboração do Pitch e slides (coworking, roteiro, edição de vídeo)

As etapas de elaboração do Pitch e dos slides aconteceram nos encontramos no espaço coworking, abaixo cada etapa que realizamos:

Inicialmente realizamos o brainstorming, não faltaram post its com ideias de startups e por votação chegamos ao modelo de startup Arretadas : a startup 100% das manas

A ideia que escolhemos foi uma plataforma para startups com 100% do time formado por mulheres onde elas terão como benefícios a visibilidade, um meio para vender, divulgar e transmitir seus eventos, além de compartilhar conhecimento e formação para meninas negras do ensino médio da rede pública de ensino

Já tendo a ideia e o nome da nossa startup definidos, o próximo passo era fazer todo material de marketing e divulgação.

Na etapa para elaborar o pitch realizamos pesquisas de pitchs recomendados pelo Mega Hack Women e pitches no nicho de mercado da nossa ideia e depois montamos o script do nosso pitch, preparamos todo o cenário no espaço coworking e depois iniciamos as gravações, foi uma etapa de construção não só do pitch mais de identidade do nosso projeto, ele estava ganhando forma. Finalmente fechamos a etapa de pitch vídeo e editamos.

A etapa seguinte era fazer a apresentação em ppt da startup Arretadas, colocar no papel todas as ideias estruturadas, com imagens bacanas que representavam nosso projeto e com todos os protótipos e aos poucos íamos finalizando as etapas e dando vida a nossa startup.

Desenvolvimento do protótipo (wireframes e figma)

Antes de desenvolvermos o protótipo navegável com objetivo de reduzir tempo e erros, as telas foram desenhadas em papel com foco nos módulos de Primeiro acesso e cadastro, tanto pelas startups quanto pelos inscritos.Módulo de cadastro e comercialização de eventos e o módulo de transmissão dos eventos.

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Processo de Prototipação

O processo de prototipação iniciou a partir dos wireframes, a ferramenta escolhida para essa etapa foi o Figma, o motivo: gratuito, permite colaboração entre membros, muitas opções de plugins e intuitivo.

O primeiro passo foi iniciado a partir de um style title que continha as cores (amarelo, roxo, lilás, preto e cinza) e a escolha da fonte header (Nunito) e do corpo do texto (Roboto) e suas variações de tamanho, assim como a escolha do grid e a interface é feita pensando no android.

A interface precisava mostrar a dinâmica do grupo, criativo. Para isso os elementos foram colocados de forma centralizada e quase todas as bordas são arredondadas.

O menu de navegação é na parte inferior do aplicativo para facilitar a usabilidade, os icons estão na cor preta visando o melhor contraste, para orientar o usuário foi criado um círculo cinza atrás de cada icon que corresponde em qual parte do menu o usuário está navegando.

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Acesse aqui o protótipo da Arretadas na plataforma Figma

Desenvolvimento do aplicativo (HTML e CSS)

Após a conclusão do processo de prototipação, pudemos dar início ao processo de desenvolvimento do aplicativo. Inicialmente tínhamos planejado utilizar o Power Apps da Microsoft — uma plataforma que tem como proposta principal a criação de aplicações de maneira fácil a partir de soluções low-code/no code (pouco código). No entanto, após assistirmos alguns vídeos explicando a utilização da plataforma, percebemos que esta não atenderia nossas necessidades visto que os aplicativos criados através dela são voltados para a modernização/automatização de processos internos em empresas.

Nosso plano B foi então codar o aplicativo manualmente através do editor de código Visual Studio Code — mais conhecido como VSCode, também desenvolvido pela Microsoft. Os motivos para a escolha desse editor foram principalmente relacionados a facilidade de utilização, especialmente no que diz respeito aos atalhos que proporcionam uma possibilidade de codar com mais agilidade e sem erros, habilidades fundamentais numa hackathon.

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Devido ao prazo optou-se por utilizar HTML e CSS,porém futuramente poderemos usar React.js ou TypeScript para aprimorar este protótipo, para criar uma simulação de como seria o aplicativo uma vez codado adequadamente, uma solução de certo modo criativa. A partir do HTML — a linguagem mais básica que dá significado e estrutura aos conteúdos da web — pudemos estruturar o conteúdo da simulação do aplicativo e, utilizando CSS — a linguagem de estilo que é utilizada para dar aparência ao documento HTML -, estruturamos a aparência de acordo com o protótipo do Figma.

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Nossas experiências no Mega Hack Woman

Prazer, Maralyza Pinheiro Business da Arretadas: A experiência de estrear num Hackathon foi um grande desafio, aos 38 anos ter a grata oportunidade de vivenciar esse momento me trouxe alguns aprendizados:

Ter ideias e entender que aquela que faz vocÊ vibrar, nem sempre irá funcionar para o Hackathon, pois não será, de fato efetiva para os problemas apresentados, que vão muito além de dados estatísticos , mas do compromisso como mulher na busca pela equidade de gênero;

Aprender a me comunicar no Hackathon, com a dinâmica acelerada do evento e com times de diversos lugares do Brasil;

Descobri o universo da prototipação e de novas ferramentas de trabalho, de forma leve e descontraída, graças ao time Arretadas;

Multidisciplinaridade, fundamental para o sucesso de uma equipe e de um projeto;

Networking, a grata oportunidade de se conectar com mulheres de diversos lugares do Brasil e aprender com cada uma delas. O mais legal, pudemos desenvolver novas habilidades e não tem idade ou tempo, sempre podemos aprender, desenvolver, crescer profissionalmente. Sai do Mega Hackman me sentindo vitoriosa, pela conexão com pessoas incríveis e todo aprendizado.

Mariana Mota: O que mais aprendi nesse desafio foi o aprimoramento das soft skills, aprendi a me comunicar melhor, estar atenta às ideias do grupo e aberta a recebê-las. Esse evento me mostrou o poder de um trabalho em equipe e como o universo do Business era completamente novo para mim! Tudo foi novidade e isso contribuiu ainda mais para o meu crescimento pessoal e ampliação da perspectiva de mundo.

Dayanne Araújo: A experiência que o Mega Hack Woman 2020 me proporcionou em uma semana será levada para toda vida! Foi um desafio muito prazeroso e difícil ao qual entrei de cabeça. Conheci novas ferramentas e pude desenvolver esse projeto maravilhoso com profissionais que admiro. A comunicação através das plataformas como Discord e Shawee facilitaram bastante o processo e organização do material, a equipe do Mega Hack Woman também foi excepcional dando todo o suporte aos participantes com mentorias de qualidade. Foi o primeiro Mega Hack Woman que participei, mas com certeza não será o último!

REFERÊNCIAS:

(https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cadernos/empresas_e_negocios/2018/0 7/637538-startups-turbinadas-por-mulheres.html).

(http://fortune.com/2018/01/31/female-founders-venture-capital-2017/)

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